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Mostrando postagens de junho, 2017

17:51

eu te julguei tantas vezes, duvidei do teu gostar, do teu querer. eu sabia, eu tinha, mas duvidei. eu te julguei tantas vezes pelas poucas palavras, pela ausência, por brincadeiras. hoje consigo ver, cegueira que curei, erros que carreguei sem pesar, pois ainda não eram erros no meu enxergar. poucas palavras mas eram tuas, deveriam me bastar, ausência por respeito aos meus/teus momentos, tempo, que muitas vezes eu pedi, brincadeiras porque é de onde vem a leveza de ser, sempre olhando com os melhores olhos, as coisas, as pessoas e eu. eu, que tanto te julguei, mesmo te amando, achei que tava pouco. quis ser meu melhor e te julguei. tanto. o mal de enxergar o outro e não se olhar no espelho, ocupada demais com a vaidade de achar que era aquilo que nem sempre fui. e tu tava ali. achei tanto que me perdi. te perdi. 
te escrevi cartas no meu diário. algumas palavras duras, como desabafo impulsivo, não pensado, seguido de arrependimento e até contradições. falei de saudade, muita saudade, amor e amor. e lágrimas, muitas. algumas das melhores experiências de vida e do que foi ser feliz. cartas do que deveria ser dito ou não, mas que não podia guardar dentro de mim.

16:35

quem eu era antes de tu? não lembro porque desde então, usei do que sei e me arquitetei inteira em ti, me fiz canteiro, me fiz obra. construi uma ilusão de eternidade, sem medir, sem seguir norma. eu me encaixei em cada pedaço do teu meio, como se fosse o meu. fiz do teu lar o meu, o nosso. decorei. e fiz da vida uma viagem. quantas viagens fiz contigo... na praia, sentados nas pedras, na areia, trilhas e caronas alheias. viagens que sorri com os olhos nas reflexões de vida, sorri também com lágrimas, de amor, de estrelas imaginárias e painéis invisíveis. que onda! que mar! mar de riso de lembrar o quanto tu já foi inteiro e meu.

03:44

já não tenho mais a mesma certeza do que é sólido. tento trazer boas lembranças pra romantizar suposições que faço, mas no final das contas... pra quê insistir? de onde vem tanto receio? um desalinho que se divide: momentos e futuro. o que eu posso ter em semanas; momentos. o que eu posso ter pra sempre; futuro. momentos ficam mornos, me distanciam, impõem limites, sei que nada é além. futuro são planos - ainda que pequenos, sem limites, posso sonhar - ainda que me acordem cedo demais. e me divido no todo o resto; companhia, sorriso, carne. ah! e o cheiro... quero a solidez não só da solidão, quero a solidez de saber querer, ter. ser. meu próprio momento, meu próprio futuro, meu aconchego, meu lar.

não existir

estranho é se perder dentro de si não encontrar caminhos, portas e janelas sem frestas. está tão escuro aqui, e frio. quanto mais eu me olho no espelho, mais eu mergulho nesse vazio. meus cabelos se entrelaçam nas águas do desalento. estou afundando quase sem oxigênio  sufocada pela dúvida de existir. há tempos não me enxergo aqui, há tempos não me visto desse sentimento que eu chamo de agonia. que agonia não se reconhecer, que agonia não estar em paz, que agonia ser e não existir, que agonia amar quem não quer amor. a mente é o pior carrasco que a vida pode nos dar, tirano e usurpador, nos mantém afogados, nem temos a chance de nadar. a cada nado, um fracasso, é frio aqui.

m e d o II

meu maior medo é ficar só, é como eu me sinto a maior parte do tempo. medo de não me bastar, medo de não me ser a melhor companhia e comigo mesma me sentir só, como estou.

m e d o I

de alguma maneira eu recuo quando tenho medo do apego. me calo, me afasto, finjo que perdeu a graça, só pra não me arriscar. no melhor da coisa toda sair correndo? Um pouco covarde. não me culpo, quem nunca tomou no c*? "expectativa de menos nunca é demais!" já diria eu mesma num mantra infinito todos os dias assim que abro os olhos. no começo, confesso que sofro, depois me acostumo - a sofrer(?) [Quase] tudo na vida é assim, costume. Depois morre, e a morte das sensações é adormecer. sou bicho arisco, desconfiado, me  afasto por medo, insegurança, e vejo tudo como jeito de me proteger, saber a hora de parar e me retirar, é como sair à francesa, raramente notam.

18:09

queria não ser vítima de mim mesma e dos meus pensamentos. queria não ser vítima de mim mesma quando crio coisas quando leio alguma palavra fora do lugar. queria não ser vítima de mim mesma quando procuro a paz no outro enquanto a paz deveria estar em mim. queria não ser vítima de mim mesma quando deposito tanta confiança em alguém que no fundo não conheço. queria não ser vítima de mim mesma quando me desequilibro pelo pouco que outro me dá. queria não ser vítima de mim mesma quando me guardo e me reprimo pra não te reprimir. queria não ser vítima de mim mesma quando me olho no espelho e não sei dizer quem eu sou.

04:23

minha fala e meus dedos estão mudos, m as meus pensamentos estão gritando e são ligeiros, e pesados. não posso me fazer metade daquilo que eu quero inteiro, não quero pisar em ovos nos caminhos que sei de cor, pois não me pertence a formalidade do antes que apenas era o que era. e bastava.