não existir

estranho é se perder dentro de si
não encontrar caminhos,
portas e janelas sem frestas.
está tão escuro aqui,
e frio.
quanto mais eu me olho no espelho,
mais eu mergulho nesse vazio.
meus cabelos se entrelaçam nas águas do desalento.
estou afundando
quase sem oxigênio 
sufocada pela dúvida de existir.
há tempos não me enxergo aqui,
há tempos não me visto desse sentimento que eu chamo de agonia.
que agonia não se reconhecer,
que agonia não estar em paz,
que agonia ser e não existir,
que agonia amar quem não quer amor.
a mente é o pior carrasco que a vida pode nos dar,
tirano e usurpador, nos mantém afogados,
nem temos a chance de nadar.
a cada nado, um fracasso,
é frio aqui.

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